(a música que mais me faz lembrar os invernos da minha infância)
Eu não queria dizer nada mas parece mesmo que por este ano já não há mais. O Verão acabou. As noites passaram a ser de recolhimento e confesso que esse sentimento tem, desta vez, outro valor. O instinto cria-me esta satisfação visceral de saber que a cria está no ninho, quente e segura, enquanto lá fora tudo fica cada vez mais escuro, mais sem vida.
Hoje os nossos amigos estão a jantar todos no bairro alto. Seria algo que naturalmente não faltaríamos. Desta vez foi com surpresa que faltámos. Aos poucos apercebemo-nos que a vida mudou por completo. Sentimos falta desses momentos e principalmente da facilidade que era estar com amigos.
E foi a pensar nisto, com uma breve sensação de solidão, a olhar para a porta do quarto do Lucas, que o meu peito se encheu com o quente do verão que já partiu e percebi que nunca mais na vida estarei sozinho.
5 comentários:
Depois fica-se outra vez sózinho. Isabel I
Lembro-me da sensação do "nunca mais só" e de como isso me aterrava (gosto muito do "só").
Mas ver um filho a dormir enternece-nos e faz-nos sentir super poderes.
Se agora me dissessem que a minha pipoca não existe, que foi tudo um sonho, acho que morria.
Mas mesmo depois, quando ficamos sozinhos, já nunca mais estamos sozinhos.
às vezes não é fácil a sensação de que a vida mudou, que o tempo e a atenção têm que ser dedicadas, quase em exclusivo, para alguém que depende inteiramente de nós.
Vale a pena? Muito, sempre...
mas ainda assim, às vezes não é fácil.
Meu querido, seja qual for o percurso, a tua vida nunca mais será a mesma! Tudo relativiza...
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