terça-feira, 7 de julho de 2009

Parabéns aos Piles

No canto inferior direito sou eu a causar distúrbios.


Foi mesmo com muita pena que não estivemos na festa dos Piles.

Enquanto aqui em casa labutávamos na adaptação à chegada do Lucas, lembrei-me tantas vezes de tudo o que nos une e como gostava de estar lá para partilhar a festa.

De facto a Sação e o Pires ocupam claramente na minha vida o lugar dos segundos pais. E o Vagué e o Luís o de irmãos, de sangue, verdadeiros.

Desde sempre que estiveram muito presentes. A recordação mais remota que tenho é a de uma festa de Natal, na casa deles em Portalegre, com cantorias (claro, nunca falta), comigo a espreitar por de baixo da porta da sala para desvendar o Pai Natal e as prendas na cozinha. Não sei que idade tinha mas deveria ser mesmo pequenino. Dessa casa lembro-me de tudo. Mesmo de tudo. A porta de alumínio que escorria gotas de água de condensação, a cozinha pequenina onde uma empregada fazia comida muito boa, a casa de banho onde o Pires esfregava ferozmente as mãos do Vagué, um quadro com um galo que reflectia luzes e cores, o corredor onde fazíamos corridas de triciclo, o quarto do Vagué cheio de brinquedos e a sala com sofás de cabedal. Um deles, um individual, está aqui ao lado no quarto do Lucas, que a Joana usa para dar de mamar, ainda com os riscos que o Vagué fez há mais de vinte anos. Lembro-me bem da cara deles quando descobriram.. (isso e chupa-chupas dentro do leitor de VHS).

Nessa altura o Pires levava-me de Opel Corsa a ver o bilhar grande (que era o campo da feira) e a Sação levava-me para as aulas dela, em Nisa, num Fiat 127 verde escuro com estofos de napa a escaldar.

Depois foram morar para Massamá, para o casal Gouveia. Por essa altura a separação era resolvida com grandes férias, meses inteiros, passados na divertilândia do Cascais Shoping e na Praia da Adraga.

Veio a universidade e os almoços de sábado lá em casa, já em Massamá Norte. Belos almoços que me reconciliavam com a barriga e atenuavam por outro lado a distância entre mim e os meus pais.

As casas dos Piles sempre tiveram um cheiro característico, difícil de descrever, mas que me ficou para sempre na memoria emotiva, e ao qual recorria como comparação sempre que reparava no cheiro da casa das outras pessoas. Acho que a minha irmã conseguirá fazer o mesmo e compreende o que digo. A mim lembra-me a roupa lavada, o cheiro do Vagué e do Luís em bebés, boas comidinhas -as sopas maravilhosas; e acima de tudo um amor e um orgulho tão grandes, que sempre fizeram questão em demonstrar, e que eu, toda a vida, recebi com admiração.

Nesta festa eu queria ter estado na missa e gritado em plenos pulmões "calem-se que vai entrar o rei!" como fiz à 25 anos atrás, quando o Padre Patrão se preparava para entrar no altar. Ou então pedir colo ao Pires a meio da cerimónia, como também aconteceu. No fundo eu sei que tudo isso aconteceu enquanto eu, à mesma hora, olhava para os olhos do meu filho.

Parabéns à Sação e ao Pires, os meus famílios.


O vosso Buto

5 comentários:

Isabel I disse...

Oh João e hoje foste tu?! A escreverem estas coisas, desta maneira, fazem-me ir comprar mais uma tonelada de lenços de papel. Beijinhos Isabel I

Sação disse...

Meu querido João, o orgulho e admiração são recíprocos. Tu, a Joana e o Lucas ocupam um lugar muito especial nos nossos corações, e estiveram sempre presentes na nossa festa.
Curioso é o facto de eu e o Lucas termos nascido no mesmo dia, mais um laço a reforçar o amor que nos une.
Bem-haja este maravilhoso texto, que me emocionou tanto!

Isabel I disse...

Nesse Natal devias ter 5 anos, deve ter sido o Natal de 86. Isabel I

|b| disse...

Muitos beijinhos Tia Saçona e Ti Pires.
Eu não tenho memórias de infância, mas tenho o carinho por ter sido tão bem recebida, desde o primeiro dia que nos conhecemos na Páscoa de 2005.
Ficou feliz por saber que o meu filho tem uma grande família, tão bonita e ele sim, irá ter , de certo, muitas memórias bonitas.

JB disse...

ops! o de cima é meu... jana.